JOVENS DA ESCOLA CEDE EXPOEM SUAS OBRAS NO MUBE

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JOVENS DA ESCOLA CEDE EXPOEM SUAS OBRAS NO MUBE

O artista plástico Gustavo Rosa é conhecido por ter uma pintura lúdica e divertida, com personagens que poderiam, sim, estar num livro infantil. Os jovens da foto ao lado encontraram nos traços do pintor a inspiração necessária para produzir as primeiras telas. Thiago Carvalheiro, de 19 anos, Lisandra Martins, de 24, Marcelo Lira, de 26, e Isumi Matsuyama, de 12, sofrem de síndrome de Down. Têm dificuldades e talentos diversos. A diferença de idade entre eles não pesa. Apesar de alguns já serem adultos, ainda têm a ingenuidade comum às crianças expressa na face, no coração e nos sonhos. E, assim, formam um grupo coeso.



Eles estão entre as 240 pessoas com deficiência mental assistidas pelo Instituto Olga Kos de Inclusão Cultural, que desenvolveu o projeto Pintou a Síndrome do Respeito, em parceria com Gustavo Rosa. Durante dois meses, o artista deu aulas às crianças. Em contrapartida, ganhou a edição do livro A Penúltima Visão da Realidade, com texto de Jacob Klintowitz (154 páginas, R$ 149,90). A obra será lançada amanhã no Museu Brasileiro de Escultura (MuBE), nos Jardins, zona sul de São Paulo, junto com a primeira exposição dos alunos. "Eles produziram trabalhos tão interessantes que resolvemos exibi-los", diz Rosa, que há dez anos recebe crianças em seu ateliê e dá aulas. "Eu gosto de brincar quando estou pintando. Além disso, aprendi muito com elas."


Um cachorro tomando sorvete, o homem lâmpada, a mulher com um olho verde e outro vermelho, e uma enfermeira são alguns dos personagens nas telas. No início, os jovens reproduziam com interpretação própria alguns dos quadros. "A minha enfermeira ficou perfeita", diz, sem modéstia, Thiago, garoto articulado, que procura ajudar os demais a se expressar verbalmente. "Mas o desenho dele que eu gosto mais é o do gato." Além da pintura, Thiago faz natação e tem aulas de baixo. Toca de KLB a Sepultura. Atividades que, segundo ele, fazem "muito bem". A mãe, a advogada Maria Lúcia, já adquiriu um espírito zen para as horas de ensaio do filho. "Minha mãe não gosta de nada. Ela só gosta de mim."



O nonsense faz parte da obra de Rosa. Um rosto pode ter três olhos, um de cada cor, boca verde e dois narizes. As crianças vão além da imaginação do autor. "Tenho um com tucano que eles acrescentaram uma boca. O bico já é boca, mas eles acharam pouco", conta Rosa. "Roubei a ideia deles. Agora, quando desenho tucano faço o mesmo."

Cores fortes e pinceladas sem compromisso foram feitos primeiro em papel. Rosa recortou as figuras, fez um fundo para cada uma das telas, e colou o trabalho de cada jovem. E os quadros estarão à venda. Custam de R$ 30 a R$ 400. O dinheiro será revertido para o instituto. Dos quatro jovens, a única que quer seguir carreira em artes plásticas é Isumi. "Para ela é muito fácil pintar. E ela pinta tudo, até a lição de casa", diz a mãe, a engenheira Cristina. Lisandra quer ser cantora, Thiago músico, e Marcelo, esportista - todos, sem exceção, querem ser famosos.

POSTURA

"A arte faz muito bem para a autoestima deles", explica Olga Kos, diretora do instituto. Gustavo é o quinto artista que participa do projeto. Eles já tiveram aula com Eduardo Iglesias, Marisa Portinari, Isabelle Tuchband e Inácio Rodrigues. "Há aluno que mudou até a postura física, que andava arqueado, olhando para baixo e falava pouco", conta Olga. "Agora, está com as costas eretas e até conversa bem ao telefone."

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091124/not_imp471109,0.php
Reportagem: Valéria França

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