Com a mão na massa

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Com a mão na massa

 Reportagem por Geriane Oliveira


Antes de participar das aulas de culinária do projeto Chefs Especiais, Fabrizio Ernane da Silva, de 21 anos, se limitava a preparar a mesa para as refeições em sua casa. Portador de Síndrome de Down, o jovem tomou gosto pela arte da cozinha, passou a preparar pratos junto com o pai e agora quer fazer faculdade de gastronomia.


 "Depois das aulas, ele ficou mais concentrado e aprendeu até a fazer pastel e sucos. Está muito interessado e estamos procurando um curso para ele", disse Luiz Walter Lino, de 49 anos, consultor e pai de Fabrizio, durante oficina realizada sábado no Mercado Municipal de São Paulo. "Eu gosto de aprender a fazer comida", completou Fabrizio, enquanto preparava uma mistura para canapés.


Idealizado pelo casal Marcio Berti, de 46 anos, e Simone Berti, de 42, o projeto Chefs Especiais nasceu de uma experiência informal, há três anos, e hoje vai além de uma simples aula de culinária. "É um encontro para a convivência entre os pares de Síndrome de Down e outros participantes, quebrando preconceitos", disse Marcio. Segundo ele, a proposta é envolver os participantes na área gastronômica, dentro da limitação de cada um, criando oportunidades para fazer amizades. "Isso aumenta a auto estima desse público", afirmou.


Mensal - A oficina acontece uma vez por mês com grupos em revezamento. Existem 150 alunos cadastrados no programa. A cada oficina, realizada em espaços cedidos por escolas ou restaurantes, quatro chefs são convidados pelo projeto para prepararem receitas com o grupo. Sem limite de idade, a participação de alunos, acompanhantes e convidados é gratuita.


De acordo com Marcio, que é gourmet e um dos proprietários da empresa La Grande Maison, fabricante de panelas de ferro, as aulas são interativas e sem finalidades pedagógicas ou clínicas. "Eu convido os alunos por telefone.


No local, a gente discute a receita e eles trabalham e se relacionam o tempo todo. Já fizemos até foie Gras", contou. Mais de 30 chefs de renome participaram do projeto. Os restaurantes Rubaiyat e Nakombi estão na lista dos locais que sediaram as aulas.


Mão na Massa - No encontro de sábado, 18 alunos especiais, a maioria crianças e jovens, participaram da confecção de canapés, enroladinhos, rocambole de chocolate, rondele vegetariano, sanduíche de peito de frango e salada de frutas. Filipe Silva Menezes Cabral, de 17 anos, era um dos mais animados. "Fico feliz em e ajudar com os alimentos", disse.


De acordo com a mãe do jovem , Cleide Alexandre da Silva, de 40 anos, a participação despertou em Filipe o interesse pela arte de cozinhar. "A cada aula a gente percebe que ele fica mais entusiasmado e já sabe fritar ovos e fazer hambúrguer", afirmou. "Quando vê uma receita na TV, quer fazer", disse.


Embalada pelo ambiente de descontração, a chef Rosele Tejada, de 40 anos, ensinou a garotada a fazer sanduíches. "Considero essa uma ótima maneira de inclusão. Sempre que posso, venho", afirmou. Thaís Pereira Cipoleta, de 26 anos, que participava pela primeira vez, estava no grupo que preparava a salada de frutas. "Na minha casa eu faço café e pão de queijo. Gosto muito de cozinhar, mas nada muito complicado", salientou.


Para a Diretora do Centro da Dinâmica de Ensino (CEDE) da capital, Célia Regina Derwood Mills Costa Carvalho, de 40 anos, que acompanhava Thaís e outros quatro alunos. "Acho a idéia muito válida, o ambiente é muito agradável e favorece a integração de pais, irmãos e instituições. ", disse.


A cada etapa do processo culinário o grupo é aplaudido pelos convidados, como um estímulo. "Aqui eles se sentem úteis. É como um dia de Natal", afirmou Simone. Ao final todos podem saborear os pratos prontos.


Patrocinadores - O projeto Chefs Especiais é apoiado por 10 empresas. Entre elas, Doural Presentes, Multicoisas, Cia. das Ervas, o restaurante A Figueira Rubaiyat e o Mercado Municipal. Marcio estima que cada aula tenha um custo de R$ 500. Segundo ele, a gastronomia permite o desenvolvimento do lado criativo e também a integração humana.


"Além de se relacionar e tocar nos alimentos in natura, o nosso aluno ainda recebe elogios o tempo todo, o que é bem bacana. Muitos deles ficam ansiosos esperando o dia do próximo encontro. Tudo isso melhora a gente", concluiu.


 


Matéria do Diário do Comércio - 31/03/2009.


 Vejam algumas fotos do evento.


 

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